- Aconteceu um acidente. - Dylan fechou os olhos e respirou fundo. Tinha que ser forte perto de sua irmã. Ou pelo menos parecer forte.
- Que acidente? Meu Deus Dylan! Fala! - Demi já estava com os olhos cheios de lágrimas imaginando o pior.
- A mãe e o pai estavam voltando do trabalho... tinha um congestionamento... e um carro veio atrás correndo e bateu no carro deles. - Dylan disse ainda com os olhos fechados, mas algumas lágrima conseguiam passar por eles.
E foi aí que Demi travou. Perdeu o chão. Já não se importava com nada, só saber se seus pais resistiram.
- Continua. - Demi disse paralisada e as lágrimas percorriam seu rosto livremente.
- O pai está internado em estado grave. Já a mãe... - Dylan respirou fundo pra terminar de dizer. - A mãe... ela... ela não resistiu, Demi. - Dylan começou a chorar. Junto com eles as garotas. Demi se desesperou. Chorava feito um bebê. Não estava se importando se estava dentro de uma festa. Se levantou da mesa e saiu correndo pra fora do lugar. Não estava se importando com seu salto enorme, com as pessoas a atrapalhando. Só queria sair daquele lugar o mais rápido possível.
Vendo que Demi estava desesperada e saindo do lugar, todos foram atrás dela. Dylan enxergava tudo como um vulto. Suas lágrimas incessantes escorriam por seu rosto. Mas nada o impediu de ir atrás de sua irmã e confrotá-la, mesmo estando quebrado tanto quanto ela.
- Demi! Espera! - Joe gritou. Todos correram pra fora do lugar.
Do lado de fora, olharam para todos os lados. Demi estava sentada encostada na parede com o rosto entre suas mãos. Ao vê-la assim, Dylan chorou ainda mais. O garotos e as garotas também estavam desesperados e chorando.
- Demi! Calma. - Dylan sentou do lado da irmã. A abraçou de lado. - Vamos nos acalmar.
- Eu sinto muito. Sei como é a perda de uma mãe. - Selena se ajoelhou em frente Demi chorando. Ela perdeu sua mãe quando tinha 12 anos.
- Precisamos voltar. Preciso ver meu pai. Precisamos voltar agora. - Demi finalmente disse. Seu rosto estava completamente molhado, ela soluçava e seus olhos estavam muito vermelhos.
- Eu sei. Vamos pra casa, arrumamos nossas coisas e voltamos pra Los Angeles pela manhã. - Kevin disse sentando do outro lado de Demi. A abraçou. Demi passou seus braços pelo pescoço dele e eles ficaram abraçados. As lágrimas escorriam dos olhos de Demi, molhando o ombro de Kevin.
- Eu sinto muito minha linda. - Kevin deixou escapar algumas lágrimas vendo a situação da amiga.
Danielle, Miley, Nick e Joe estavam olhando os quatro amigos que estavam sentados. Eles estavam de pé. Miley chorava como Danielle. Nick estava sem saber o que fazer. Ver seu amigo e sua amiga chorarem inconsolavelmente era doloroso pra ele.
Joe estava sem chão. Seu melhor amigo estava chorando como ele nunca viu antes um garoto chorar. E Demi... pra ele, ver Demi chorar daquela maneira doía demais. Ele já tinha assumido pra si mesmo que gostava dela. Mas agora está sentindo que a ama. Sentindo a dor que ela estava transparecendo sentir. Ele não sabia o que fazer.
Demi soltou Kevin e se levantou. Dylan, Selena e Kevin se levantaram após ela. Selena abraçou Dylan fortemente. Kevin abraçou Dani. Nick abraçou Miley. Demi olhou para Joe. Ele negou com a cabeça. Seus olhos estavam marejados. Demi correu até ele e o abraçou. Um abraço que ela julgou ser o melhor da sua vida. Um abraço protetor. Um abraço que ela só sentia de sua mãe. Chorou ainda mais quando se lembrou que nunca mais poderia abraçá-la.
Demi o apertava contra si, Joe passava suas mãos nos cabelos dela. Beijou o topo de sua cabeça. Aproximou a boca do ouvido de Demi.
- Eu faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo pra poder aliviar sua dor. Eu queria poder sentir sua dor por você, só pra não te ver chorar. - Joe suspirou no ouvido dela, que chorou ainda mais.
- Ela se foi, Joe. Pra sempre. - Demi se afastou de Joe e colocou o rosto entre suas mãos.
- Eu nem sei o que dizer. - Joe passou a mão na cabeça transtornado.
- Me abraça. Apenas isso. - a voz de Demi saiu abafada e embargada. Joe a puxou contra si novamente.
Dylan não entendeu aquela cena, mas não estava se importando com aquilo no momento. Se aproximou dos dois.
- Vamos pra casa. - Dylan disse baixo. Joe tentou sorrir mas não conseguiu.
- Eu levo você. - Joe disse à Dylan sabendo que ele não estava bem pra dirigir. Dylan negou.
- Obrigado, mas leva a Demi. Eu levo o Nick. Fica tranquilo. - Dylan enxugou seu rosto.
- Tudo bem pra você? - Joe perguntou baixo pra Demi. Ela apenas concordou com a cabeça. - Então vamos.
Joe abraçou Demi de lado e andou até seu carro. Dylan, Nick e Selena andaram silenciosamente até o carro de Dylan. Kevin, Danielle e Miley foram até o carro de Kevin. Todos sairam juntos, como antes.
No carro de Joe o silência estava reinando. Apenas alguns suspiros e soluços de Demi podiam ser ouvidos. Ela ainda chorava olhando pra janela observando todas as luzes se transformarem em borrões coloridos.
Chegaram em casa. Antes de deixar Demi descer, Joe segurou seu braço. Demi virou pra ele.
- Eu vim o caminho todo pensando no que dizer pra tentar fazer você se sentir melhor. - ele começou baixo a olhando nos olhos. Ela escutava atentamente. - Mas eu cheguei a conclusão que não tem o que eu falar. Você não vai se sentir melhor.
- Isso dói demais, Joe. Demais. - Demi respirou fundo tentando parar de chorar.
- Eu sei, mas... - Joe segurou a mão de Demi. - Dói muito agora. Dói mesmo. Vai doer por um bom tempo, não vou mentir. - Joe suspirou vendo as lágrimas de Demi aumentarem. - Mas confie em mim. Não vai doer desse jeito pra sempre. Você vai se pegar chorando durante a noite por um bom tempo. Mas não é pra sempre. Eu prometo. E não se preocupe. Chorar não é sinal de fraqueza. Todos temos vontade de chorar. É normal. - Joe passou a mão pelas lágrimas de Demi.
Por um minuto ficaram em silêncio. Apenas trocavam olhares. Por fim, Joe suspirou fundo.
- Eu realmente sinto muito. Eu não sei o que fazer pra te ajudar. Eu estou desesperado por te ver assim. Eu quero tirar essa dor de você, mas eu simplesmente não consigo pensar como. - Joe disse desesperadamente. Demi deu um sorriso fechado e triste.
- Joe, obrigada. Mesmo sabendo que não tem como me ajudar, você está tentando. Saiba que eu aprecio isso. Sou grata a você. - Demi disse baixo e entre soluços.
Joe sorriu tristemente e se aproximou de Demi. Deu um beijo na sua bochecha molhada de lágrimas.
- Vamos. Temos que fazer muita coisa ainda essa noite. - Joe analisou todo o rosto de Demi. Beijou a ponta do nariz dela.
- Obrigada mais uma vez. - Demi disse e por fim saiu do carro.
Antes de sair, Joe socou o volante. Estava sendo difícil ver que a garota que ele ama estava toda quebrada, inconsolável.
- Merda de vida. - deu uma risada sem humor e saiu do carro. Trancou o mesmo e foi a caminho da entrada da casa.
Demi entrou na casa e não tinha ninguém na sala. Provavelmente todos já tinham subido pra arrumar as malas. Subiu as escadas e foi pro seu quarto. Entrou, trancou a porta e se jogou na cama. Chorou ainda mais. Abraçou seu travesseiro.
Você não pode imaginar a dor de perder sua mãe. Você se sente completamente perdido no mundo. Uma dor que só vai aumentando a cada segundo e te corroendo por dentro. Você se desespera porque lembra que a única pessoa que pode aliviar essa dor é sua mãe. Você só sabe chorar. Você precisa gritar. Você sente vontade de abraçar alguém. Alguém que te ama incondicionalmente. Alguém que você não vai poder abraçar. Porque esse alguém é sua mãe.
Demi se sentou na cama. Precisava gritar. Precisava exteriorizar sua dor. Colocou o travesseiro no rosto e o apertou. Gritou tão alto que sua garganta doeu. Tirou o travesseiro e deitou lentamente na cama.
- Mãe. - disse entre soluços. - Volta mãe. Por favor. - chorava como nunca. Estava sozinha no quarto. Ninguém a chamaria de fraca. Chorou até não ter mais lágrimas dentro de si. Sentiu os olhos pesados e a respiração fraca. Precisava de ar. Mas ar era irrelevante perto do que ela acabara de perder. Não se preocupou em puxá-lo. E então deixou se levar.
Dylan estava no seu quarto arrumando suas coisas e chorando. Não sabia o que fazer. Teria que cuidar do velório de sua mãe, já que seu pai estava internado em estado grave. Não conseguia imaginar a cena de sua mãe dentro de um caixão com várias flores. Aquilo era terrível. E ainda tinha seu pai. Ele estava em estado grave, corria sérios riscos de vida. O que ele iria fazer se seu pai também se fosse? Parou de pensar nisso porque seu choro só aumentou.
Terminou de arrumar suas coisas. Sua mala estava pronta. Decidiu ver como Demi estava. Oh Demi... sua pequena irmãzinha. Não conseguia olhar pra ela e ver todo aquele sofrimento e desespero no seu rosto. Demi era muito próxima a sua mãe. As duas trocavam segredos. Deveria estar sendo ais difícil pra ela.
Bateu na porta do quarto de Demi. Ninguém respondeu. Bateu mais duas vezes. Nada.
- Demi! - Dylan gritou. Nada. Se desesperou. Por que diabos Demi não respondia? Bateu mais algumas vezes.
- DEMI! ABRE A PORTA! - ele quase derrubou a porta do quarto de Demi. Joe apareceu no corredor.
- O que ta acontecendo? - perguntou desesperado.
- A Demi não responde e a porta ta trancada. - Dylan disse desesperado.
Joe também se desesperou. Ele não podia ter feito isso. Ela não é dessas garotas que pensam em suicídio. Demi era forte. Ela não faria isso. Ou faria?
NOTA DA AUTORA:
Primeiro, eu gostaria de falar que vocês deveriam agradecer até a morta a vitória - @itsforlovato - porque ela quase me matou pra mim postar esse cap hoje. Te amo linda.
E também que o cap 11 já ta pronto mas não vou postar pq ta no meu celular e já to cansada de passar a limpo, desculpem :(
Mas enfim, gostaram? Beijinhosss
- ohjonato
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